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  • Ivan Alfarth

Tecnologia na advocacia: para ajudar (e não enrolar) o cliente

A advocacia tradicional compreendia uma rotina onde o advogado ouvia o cliente em seu escritório abarrotado de livros, elaborava uma tese e a encaminhava para a justiça. Agilidade na resolução de problemas legais não era, em muitos casos, a prioridade.


Quando age com essa postura arcaica, o advogado se torna cúmplice de dois efeitos na lentidão da justiça: quem quer fugir de suas obrigações fica protegido pela demora na solução de conflitos e quem precisa da solução rápida desanima e fica desacreditado de todo o sistema jurídico.


A internet causou o primeiro grande impacto nesse modelo tradicional: processos eletrônicos diminuíram a demora do Poder Judiciário e os escritórios de advocacia tiveram que se tornar mais dinâmicos e não tão amarrados a um território de atuação - afinal, a internet não conhece fronteiras.


Em seguida, o advento de mecanismos como Inteligência Artificial, Machine Learning e Deep Learning impactou especialmente nos escritórios de advocacia de massa: ações repetitivas passaram a ser feitas por robôs – programas que, mais do que compilar e organizar informações, as interpretam e inclusive redigem a tese jurídica no lugar de um advogado real.


Todas essas mudanças já vinham se tornando objeto de reflexão por muitos advogados e estudantes de Direito, afinal o mundo moderno impõe uma nova visão inclusive sobre profissões tradicionais e consolidadas como a advocacia.


No entanto, a pandemia da COVID19, com as consequentes questões relacionadas ao distanciamento social, acabou por acelerar enormemente esse processo. Serviços jurídicos eletrônicos como obtenção de certidões, pesquisa de processos, análises de risco, e o próprio atendimento ao cliente estão sendo feitos através de sistemas remotos criados e desenvolvidos pelas chamadas Lawtechs (startups que criam produtos e serviços de base tecnológica para melhorar o setor jurídico). Essas empresas procuram facilitar ao advogado a gestão do escritório e, o mais importante, a gestão da informação que ele recebe – afinal, de que adianta receber toneladas de dados se não se souber o que fazer com eles?


Uma advocacia moderna deve se direcionar a:


- Uma abordagem bem mais dinâmica do que a tradicional, prevendo cenários através de análise de risco com base nas decisões que a justiça tem tomado;


- Preferência a acordos e arbitragens, evitando o desgaste temporal de longos processos;


- Disponibilizar ao cliente informações previas de questões judiciais que ele possa sofrer (monitoramento de processos);


- A obtenção de documentos e informações deve ser otimizada a ponto de quase todo tipo de busca nesse sentido ser feita virtualmente (sem a necessidade de visitar cartórios, por exemplo).

Assim, é importante que o cliente atente para advogados que realmente estejam se atualizando e disponibilizando serviços ágeis, com rápida busca de dados e, sobretudo, capacidade de lidar com estas informações. Os tempos são outros, felizmente.



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© 2020 por Ivan Alfarth. 

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