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  • Ivan Alfarth

As Pirâmides Financeiras: identifique-as e fuja delas!


No início do século passado um emigrante italiano nos EUA chamado Charles Ponzi descobriu que selos de correio de outros países tinham grande valor dentro do território americano. Assim, passou a comprar esses selos e a revende-los com grande lucro. Muitas pessoas se empolgaram com o negócio e começaram a entregar a ele o dinheiro antes mesmo de Ponzi lhes dar os selos. Ponzi então percebeu que, pela ganância das pessoas, ele poderia angariar mais dinheiro. Assim, sugeriu a elas: “me deem seu dinheiro que em poucos meses lhes remunero com o dobro, e vcs poderão fazer isso com terceiros, ganhando dinheiro para si também”. A esta altura os selos pouco importavam, o que valia mesmo era ganhar o máximo possível de dinheiro em curto espaço de tempo.

Assim, apelidou-se esse sistema de “Esquema de Ponzi”, o qual descreve as “Pirâmides” financeiras: um modelo comercial que depende basicamente do recrutamento de outras pessoas em níveis insustentáveis.

O golpe pode ser identificado quando alguém faz um único pagamento e recebe, a partir de então, a promessa de retornos exponenciais. Na maioria dos casos, somente o idealizador do golpe ou poucas pessoas ganham com a manobra financeira. Quem fica na pior situação são aquelas pessoas na base da pirâmide, que entraram no plano, mas não são capazes de recrutar outros seguidores. Ou seja, em pouco tempo a pirâmide se degenera.

Como o sistema de pirâmides se tornou “manjado” com o tempo, golpistas passaram a colocar um verniz de legalidade no esquema, oferecendo o sistema através de táticas de marketing multinível. A princípio operando dentro da lei, o marketing multinível trabalha com o recrutamento de pessoas para vender, divulgar ou consumir um produto. Os recrutados, por sua vez, podem recrutar mais gente e ganhar comissões. No entanto, se a venda do produto for algo secundário e se a grande fonte de rendimentos for a entrada de novos integrantes, temos o caso de uma autêntica pirâmide disfarçada de empresa de “marketing multinível”.

Para identificar o esquema de pirâmides é importante atentar para o seguinte:

- Há exigência de pagamento inicial de valores altos para a adesão;

- O trabalho do “revendedor” não está claramente vinculado a um esforço real de vendas do produto. Pode até haver alguma atividade envolvida, mas ela faz pouco sentido para a venda;

- Há promessa de altos ganhos, normalmente em pouco tempo, mas sem que haja clareza quanto a um real esforço do participante com a venda de produtos.

A prática de pirâmide é enquadrada como um crime contra a economia popular. Pessoas lesadas podem procurar a justiça para pedir reparação dos danos e devolução dos valores. Mas, na prática as chances de sucesso são baixas, pois os criadores desses esquemas se valem de artimanhas para evitar que seus bens sejam penhorados na justiça. Ou, pior, o golpe é tão grande que mesmo que ocorra bloqueio de contas e bens dos criadores do esquema, eles não serão suficientes para indenizar quem entrou na pirâmide. Foi o que aconteceu recentemente em Santa Catarina, onde milhares foram ludibriadas no esquema “Multiclick”. Bens dos donos foram bloqueados, mas eles não chegam a valer 10% do que os investidores aplicaram. Assim, o recomendável é sempre fugir desses esquemas.


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© 2020 por Ivan Alfarth. 

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